sexta-feira, 30 de maio de 2014

You have as many hours in a day as Beyoncé

Eu sempre digo que quanto mais coisa eu tenho para fazer, mais eu faço. Tenho sentido meus dias curtos porque tenho feito pouca coisa. Ou pouca coisa que eu ache realmente relevante.

Essa coisa de ter tempo e não saber usá-lo me preocupa. Tenho vários livros pendurados nas minhas estantes e baixados no meu tablet e não consigo terminá-los. São famosas as minhas tentativas de terminar um Dostoievski. Tudo bem. O Dostoievski não é um bom exemplo, porque eu simplesmente acho chato, mas serve para dizer que não consigo terminar livros relevantes que tenho tanta vontade de chegar ao fim.

Às vezes me desculpo dizendo que os compromissos corriqueiros do cotidiano me distraem do que eu realmente quero fazer. Mas não é isso. Parece preguiça de viver. Ou preguiça pura e simples mesmo.

É preguiça de organizar meu tempo. Eu sempre gostei de separar fotografias de viagens, salvá-las em álbuns na web e enviar aos amigos. Nem da viagem que fiz à Nova York em setembro passado eu consegui organizar as fotos. Acabei de chegar do Sudeste Asiático e, vejam, não separei ainda as fotos.

Pior é que não “acabei” de chegar do Sudeste Asiático. Já faz mais de um mês. Se eu fizer as contas, nesse mês eu já participei de intermináveis reuniões no trabalho, redigi pouca coisa e li um milhão de emails que não diziam quase nada. Fiz as coisas que tive que fazer. Mas nenhuma que realmente importasse para mim.

Em um mês, eu aposto que Paul McCartney compôs umas duas ou três músicas, Luiz Fernando Veríssimo escreveu umas quinze crônicas e Beyoncé fez uns 20 shows. Ensaiando todos os dias, é claro.

Eu acho que os dias de Beyoncé têm umas 45 horas. Só pode. Ou, então, o meu tem 12.

Acordo. Malho. Como (o tempo inteiro). Vou para o trabalho. Leio emails. Participo de reuniões. Às vezes escrevo alguma coisa. Tomo café. Volto pra casa. Ligo pro meu namorado. Durmo. De repente, acordo de novo. Sinto-me sufocada,mas nem tenho tanta coisa assim pra fazer.  

Ler? Que horas.

Ver um filme? Só se for no final de semana e olhe lá.

Escrever? Impossível. Quem tem tempo?

Acabo sentindo que vou levando a vida na obrigação do vácuo que a liberdade de gerir meu tempo me deu.

Queria tanto escrever. Não peças processuais chatas e repetitivas. Mas textos que tenham algum significado. Pelo menos para mim.


Acho que só assim me sentiria tomando conta do meu mundo. 

2 comentários:

  1. Néé q eu achei este cantinho meio q por acaso!?
    Escreve, Marisinha, que a jornalista aqui gosta mais é de ler!

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  2. cheguei nesse blog totalmente por acaso mas me identifico totalmente com tudo q li. obrigada

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