Eu sempre digo que quanto mais
coisa eu tenho para fazer, mais eu faço. Tenho sentido meus dias curtos porque
tenho feito pouca coisa. Ou pouca coisa que eu ache realmente relevante.
Essa coisa de ter tempo e não saber
usá-lo me preocupa. Tenho vários livros pendurados nas minhas estantes e
baixados no meu tablet e não consigo terminá-los. São famosas as minhas
tentativas de terminar um Dostoievski. Tudo bem. O Dostoievski não é um bom
exemplo, porque eu simplesmente acho chato, mas serve para dizer que não
consigo terminar livros relevantes que tenho tanta vontade de chegar ao fim.
Às vezes me desculpo dizendo que
os compromissos corriqueiros do cotidiano me distraem do que eu realmente quero
fazer. Mas não é isso. Parece preguiça de viver. Ou preguiça pura e simples
mesmo.
É preguiça de organizar meu tempo.
Eu sempre gostei de separar fotografias de viagens, salvá-las em álbuns na web
e enviar aos amigos. Nem da viagem que fiz à Nova York em setembro passado eu
consegui organizar as fotos. Acabei de chegar do Sudeste Asiático e, vejam, não
separei ainda as fotos.
Pior é que não “acabei” de chegar
do Sudeste Asiático. Já faz mais de um mês. Se eu fizer as contas, nesse mês eu
já participei de intermináveis reuniões no trabalho, redigi pouca coisa e li um
milhão de emails que não diziam quase nada. Fiz as coisas que tive que fazer. Mas
nenhuma que realmente importasse para mim.
Em um mês, eu aposto que Paul
McCartney compôs umas duas ou três músicas, Luiz Fernando Veríssimo escreveu
umas quinze crônicas e Beyoncé fez uns 20 shows. Ensaiando todos os dias, é
claro.
Eu acho que os dias de Beyoncé têm
umas 45 horas. Só pode. Ou, então, o meu tem 12.
Acordo. Malho. Como (o tempo
inteiro). Vou para o trabalho. Leio emails. Participo de reuniões. Às vezes
escrevo alguma coisa. Tomo café. Volto pra casa. Ligo pro meu namorado. Durmo.
De repente, acordo de novo. Sinto-me sufocada,mas nem tenho tanta coisa assim
pra fazer.
Ler? Que horas.
Ver um filme? Só se for no final
de semana e olhe lá.
Escrever? Impossível. Quem tem
tempo?
Acabo sentindo que vou levando a
vida na obrigação do vácuo que a liberdade de gerir meu tempo me deu.
Queria tanto escrever. Não peças
processuais chatas e repetitivas. Mas textos que tenham algum significado. Pelo
menos para mim.
Acho que só assim me sentiria
tomando conta do meu mundo.
Néé q eu achei este cantinho meio q por acaso!?
ResponderExcluirEscreve, Marisinha, que a jornalista aqui gosta mais é de ler!
cheguei nesse blog totalmente por acaso mas me identifico totalmente com tudo q li. obrigada
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